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Sem legenda…

Não seja paga pau de gringo

Muita gente me para na rua para dizer que come­çou a gos­tar de música bra­si­leira por causa do MTV na BRasa, o pro­grama dedi­cado a música bra­si­leira que eu apre­sento na mesma emis­sora.
Eu fico bem feliz com esse tipo de abor­da­gem, mesmo achando que o pro­grama só mos­tra 1/3 do que existe de música no Brasil. Mas beleza, esta­mos fazendo algo para a cul­tura naci­o­nal.
O mais louco desse papo é que eu não sou parado nas ruas de Londres ou Paris, e nem são grin­gos que me inter­pe­lam na rua…são bra­si­lei­ros mesmo. Eu fico me per­gun­tando: Como assim, um legí­timo bra­zuca vem me dizer que come­çou a gos­tar de música bra­si­leira por causa do MTV na BRasa? Esse cara não pode ser daqui, mesmo falando o nosso idi­oma e sendo com­ple­ta­mente mis­ci­ge­nado.
Não é pos­sí­vel que os bra­si­lei­ros não gos­tem da música naci­o­nal. Acho que eles não conhe­cem nos­sas melo­dias, isso sim.
Enquanto as pes­soas do mundo inteiro pagam pau para a nossa música, nós nega­mos a pró­pria cul­tura. Você acha que é men­tira minha? Que os grin­gos não estão nem aí para a nossa música? Então per­gunta a Sean Lennon se ele conhece os Mutantes, ou então, cata aí na inter­net uma entre­vista de Kurt Cobain falando que é apai­xo­nado pela mesma banda que Sean gosta.
Isso, sem falar de Stevie Wonder e Black Eyed Peace, que fize­ram ver­sões para clás­si­cos da música tupi­ni­quim. Mas, tem muito bra­si­leiro achando que foi Simonal quem copiou a ver­são de Stevie. Tsc, tsc.

Sim, a nossa música é lou­vada e apre­ci­ada lá fora, meu pir­ra­lha.
Você sabia que “Garota de Ipanema” ficou por várias sema­nas em pri­meiro lugar nas para­das ame­ri­ca­nas? E isso foi nos anos 60, quando a troca de arqui­vos vir­tu­ais não exis­tia nem no Pentágono.
Então, se você é bra­si­leiro, não diga que não gosta de música bra­si­leira. Diga que não conhece. E se você não conhece é por­que é um B.U.R.R.O, um sem cul­tura. Ou então, você só pas­sou o pri­meiro ano da sua vida no Brasil e depois se mudou para a Europa. Ops, essa opção não existe mais, já que o mundo todo conhece a música bra­si­leira.
É, você é um burro mesmo…um sem cul­tura.
E nem adi­anta vir com esse papo de que só tem música ruim no Brasil. Claro que tem…no mundo todo tem música ruim, mas tam­bém tem música boa pelo mundo, inclu­sive no Brasil.
Por aqui tem de tudo, minha cri­ança, Rock, Pop, Hard Core, Punk Rock, Valsa, Salsa, Mambo e o escam­bau. Só que temos o nosso jeito de fazer, o nosso tem­pero. E isso é massa, pois um mesmo estilo de música se incor­pora e se dilui em cada país que chega. Ia ser muito chato ouvir no mundo inteiro o mesmo Iê Iê Iê feito pelos Beatles.
Aqui tive­mos a Jovem Guarda, no Japão a inter­pre­ta­ção foi outra, na Turquia, os músi­cos incor­po­ra­ram ins­tru­men­tos regi­o­nais, e no fim das con­tas, a essên­cia era a mesma…Iê Iê Iê puro e sim­ples. O que muda é o molho e o tem­pero que cada país coloca no som.

Entenderam o que eu estou que­rendo dizer?
Absorvemos músi­cas do mundo todo, mas colo­ca­mos as nos­sas carac­te­rís­ti­cas nela e, auto­ma­ti­ca­mente, cri­a­mos outra coisa.
Porque eu vou dizer que o Dead Kennedys é melhor que o Garotos Podres? Na “gringa” o Ratos de Porão é endeu­sado? E o que falar do Sepultura?
É o nosso jeito de fazer Rock. É dife­rente, e isso chama a aten­ção dos grin­gos. E Porque não cha­ma­ria a nossa aten­ção, se somos do mesmo país que esses caras? Vi um coro de 50.000 argen­ti­nos can­tando as músi­cas de Caetano Veloso no show que ele fez por lá. Aqui no Brasil tem gente que tapa os ouvi­dos pro som de Caê. Que coisa feia.
Pra come­çar, a nossa música tem que ser res­pei­tada por nós.

EU GOSTO DE MÚSICA GRINGA, MAS NÃO SOU PAGA PAU PRA GRINGO!

Quando toquei no Rock in Rio III com a minha antiga banda, o Sheik Tosado, não me sen­tir menor do que o Iron Maden, banda que tocou no mesmo palco. E não estou falando de sucesso, grana ou estilo musi­cal. To falando de com­pe­tên­cia mesmo. Toquei naquele palco imenso por­que fui com­pe­tente, tra­ba­lhei bem e mereci estar ali tanto quanto o Iron…e olhe que sou bra­si­leiro, heim? Mas, durante o show, uma turma de bra­si­lei­ros que estava no gar­ga­rejo só gri­tava o nome do Maden…e isso rolou em todos os shows das ban­das bra­si­lei­ras que vie­ram depois da gente. Lamentável. A galera, no mínimo, devia res­pei­tar e dar valor a uma banda naci­o­nal que está se apre­sen­tando no mesmo palco de uma grande atra­ção inter­na­ci­o­nal.
Entrei nesse papo do Rock in Rio para falar do que rolou com o Ultraje a Rigor no SWU. Porque a equipe téc­nica do Peter Gabriel se achou no direito de dizer quanto tempo o Ultraje ia tocar? Como é que o cara chega em outro país que­rendo cagar regra? Cadê a pro­du­ção do SWU para botar esse gringo no seu devido lugar e fazer a sua equipe res­pei­tar os bra­si­lei­ros?

Esse fato é um exem­plo claro do que estou ten­tando dizer nes­sas linhas.
Nós bra­si­lei­ros, temos essa mania de ser­vi­çal. É a herança que car­re­ga­mos desde os tem­pos da colônia. Enquanto tiver­mos essa men­ta­li­dade medío­cre sobre nós mes­mos, nunca esta­re­mos de igual para igual com o resto do mundo. E mais…a nossa iden­ti­dade cul­tu­ral é a melhor coisa que pode­mos mos­trar para eles.
Minha jóia, Isso não é um dis­curso naci­o­na­lista, e nem tô pre­gando que você deve odiar a música inter­na­ci­o­nal. Não mesmo! Mas não saia dizendo por aí que detesta a música bra­si­leira. Você ape­nas não a conhece. Abra seus ouvi­dos.
Gosta da fase doi­dona dos Beatles? Experimente um disco dos Mutantes…você vai ver que é tão bom quanto.

Em Tempo: Veja como os grin­gos amam a nossa música

 

 

 

 

 

 

Envelhecer

Não vejo o tempo
apenas o vento me empurrando para frente
meus cabelos estão voando
e os olhos estão cada vez mais serenos
Meu corpo ficou maior
meus desejos também
já não ando descalço
mas sonho como criança.

Parabéns, Chininha

Hoje é meu aniversário…dia 9 de novem­bro.
Obrigado a todo mundo que tá me man­dando os para­béns…
Queria pos­tar uma foto de quando era cri­ança, mas não tenho nenhuma aqui.
Então, vai uma foto minha fazendo o que mais gosto de fazer na vida.

Soparia

A Soparia foi um bar impor­tante na cena per­nam­bu­cana dos anos 90. Lá, a música, o cinema, a moda, e todas as expres­sões artís­ti­cas encon­tra­ram espaço e liber­dade para ganhar o mundo.
Quem pas­sou pela Soparia sabe do que eu estou falando…e quem não pas­sou con­se­gue sen­tir o gosto da Sopa nesse docu­men­tá­rio.